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domingo, 24 de outubro de 2010

INVERNO NO SUL

Inverno pra mim significa uma estação ótima  para ficar em casa, embaixo do edredom, tomando um delicioso chocolate quente. É  ótimo, mas principalmente para as mulheres não é tão bom assim. As mulheres tendem a se cuidar para estarem bem no verão. No inverno comemos mais alimentos calóricos e em mais quantidade que no normal.
Mesmo com o frio rigoroso da região sul, nossa vida é normal, como em outras regiões ou estações mas com mais agasalhos. Estudantes acordam cedo para ir a escola, jovens saem nos finais de semana, e as pessoas em geral continuam com seus exercícios. No sul tem muitas alternativas de como se divertir no inverno, desde um chocolate quente a uma viagem a serra gaúcha.
Os lugares fechados como: shoppings, teatro, museu, cinema, entre outros, ficam lotados. As mães se preocupam muito com os filhos, para eles não pegarem muito frio e acabarem resfriados. É aquele tipo "filho leva um casaco", "filho não senta no chão, pega uma almofada". Ou até mesmo quando chegamos tarde em casa e as mães esperam com um chá, chocolate quente, café ou leite para nos esquentar.
Assim como tem as pessoas que não passam necessidades no inverno, tem os moradores de rua e os pobres. As emergências quase sempre lotadas, desde crianças a idosos, de pequenos a sérios problemas. O moradores de rua, normalmente não tem o que comer, passam frio embaixo de pontes, viadutos e até dentro das casinhas de parada de ônibus.
E mesmo assim amamos essa terra, com suas qualidades e seus defeitos.

Autora: Lenise Ribeiro

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SONETO DE FIDELIDADE

"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, é tanto
Que mesmo em face o maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."

Vinicius de Moraes

EU ETIQUETA

"Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que estar na
moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos de mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio.
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer outra língua
(Qualquer principalmente)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê-lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas indiossincrasias tão pessoais,Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Resumia uma estética,
Hoje, sou costurado,
Sou tecido,
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentarem assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente."
(Carlos Drummond de Andrade"

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

POESIA

               O Sabiá não canta mais

Minha terra não tem mais palmeiras
O homem destruiu
O Sabiá não canta mais
Ta tudo em extinção

No céu as estrelas continuam a brilhar
Na terra flores ainda temos
Até quando é o que queremos saber,
Até quando a natureza sobreviverá?

O mundo começou sem o homem
E quem sabe acabará sem ele
Minha terra não tem mais palmeiras
O Sabiá não canta mais

Nosso país ainda tem primores,
Mas há tempos atrás tinha muito mais
Hoje em dia pensamos antes de dormir,
O que será do mundo para os nossos filhos e netos?
Minha terra não tem mais palmeiras
O Sabiá não canta mais

O sonho de um mundo melhor,
Depende apenas de nós
Precisamos melhorar nossos conceitos
O mundo necessita de nossa ajuda
Antes que seja tarde demais
Afinal o Sabiá não canta mais

Autora: Lenise da Luz Ribeiro

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A redação nota máxima

                                                              Vestibular

Clarissa Both Pinto foi a única a tirar o escore mais alto na UFRGS.
A jovem de São Francisco de Paula foi aprovada para o curso de Medicina, o mais concorrido na UFRGS.
Antes de pensar em estudar para o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a jovem Clarissa Both Pinto, natural de São Francisco de Paula, já tinha um hábito curioso: ela mantinha um caderno de citações no qual registrava frases de autores nacionais e internacionais.
Esse caderno acabou sendo um forte aliado na hora da prova de redação da UFRGS deste ano. Dele, a vestibulanda retirou três citações que ajudaram sua redação a tirar a nota máxima no concurso, 25. Clarissa foi a única a conseguir "gabaritar" essa prova.
- Quando fui para casa naquele dia, acreditava que tinha feito uma boa redação. Mas uma nota assim, tão alta, jamais passou pela minha cabeça. Quando contei para minha professora, ela perguntou se eu tinha visto direito - conta a estudante, aprovada em Medicina, aos 20 anos.
Ir bem, de qualquer forma, não seria uma surpresa para ela. Desde que começou a estudar para o vestibular, nos últimos três anos, raramente deixou de escrever uma redação por semana. Ao mesmo tempo, leu dezenas de textos feitos por outros vestibulandos. Está aí um dos segredos que Clarissa não quer guardar, mas dividir com outros candidatos.
- A redação é uma prova lógica. Ela deve ser considerada uma disciplina igual as outras. É preciso estudá-la da mesma forma que matemática ou química. O estudo, no caso da redação, é produzir muitos textos e ir aperfeiçoando.
Entretanto, também é verdade que o esforço de Clarissa começou muito antes e, de certa forma, sem ser percebido. Trata-se de um hábito de leitura. Para ela, está longe de ser uma obrigação, ler sempre foi um prazer. E, mesmo para uma vestibulando, vai além de leituras obrigatórias da UFRGS. Seu gosto literário vai de Luis Fernando Veríssimo a Franz Kafka.
Como ela fez:
> Primeiro, Clarissa leu mais de uma vez o enunciado para saber, sem qualquer dúvida, o que estava sendo pedido.
> Depois, ela fez o esquema do texto. No desenvolvimento, um parágrafo seria para falar das infrações e outro para as incivilidades. Em cada parágrafo, decidiu falar de três das opções oferecidas em cada quadro.
> A vestibulando lembrou de cinco citações que se encaixavam na redação, optou por três delas.
> Colocou Claude Levi-Strauss na abertura para, segundo ela, impactar logo de cara o avaliador.
> Manuel Bandeira, no meio, para mostrar que conhecia literatura e, no final, Saramago.
> Ela escreveu a redação fazendo pausas para responder às questões de português. Segundo ela, isso dava tempo para pensar melhor nos argumentos.
"UM MUNDO DE CEGOS
      Já afirmava Claude Levi-Strauss que "o mundo começou sem o homem e poderá acabar sem ele". Nessa perspectiva, a sociedade atual demonstra um paradoxo, visto que, apesar da tecnologia corroborar a capacidade técnica e intelectual do homem.], continuamos cometendo infrações e incivilidades diariamente.
      Lamentavelmente, muitas pessoas praticam incivilidades no cotidiano, as quais atestam o caráter egocêntrico do homem: ocupar assentos especiais em transportes coletivos, poluir o meio ambiente e não coletar as fezes de nosso animal de estimação são algumas das atitudes incosequentes que manifestamos no dia a dia, as quais contribuem para uma realidade hostil e desagradável. Nesse sentido, a construção de uma sociedade sadia consiste em ter discernimento de que o espaço de nosso próximo começa onde termina o nosso espaço. Assim, quando prejudicamos o nosso entorno, estamos impedindo que a cooperação minimize as mazelas latentes da sociedade moderna.
       As infrações que contemos também prejudicam muito a construção de uma sociedade sadia: a sonegação de impostos é uma atitude tão condenável quanto o ato do político se valer das finanças publicas; a compra de produtos piratas engendra um tráfico que se conecta a tantos outros, como o tráfico de drogas e de armas, os quais aliciam desassistidos e vitimam inocentes; a ultrapassagem do sinal vermelho é uma infração grave, uma vez que recrudesce o trânsito violento que verificamos atualmente. Além disso, é imprescindível que mudemos o nosso "mundo particular", porque tal mudança se reflete ao "mundo coletivo", do qual todos nós fazemos parte. Caso contrário, só confirmaremos o que Manuel Bandeira escreveu " a existência humana é uma aventura, de tal modo inconsequente".
        O escritor português José Saramago, em seu livro "Ensaio sobre a Cegueira", descreve uma sociedade que, paulatinamente, se torna cega. Metáforas à parte, é exatamente isso o que acontece com nossa sociedade, já que ignoramos que, não só infrações, mas também incivilidades prejudicam a construção de uma sociedade sadia, pois abdicamos de atitudes abnegadas para sermos completamente egoístas, cegos. Portanto, o mundo só atenuará suas mazelas quando percebemos que tudo depende de esforços coletivos, ou, como Saramago registrou, "se podes olhar, vê; se podes ver, repara".

(créditos - zerohora )

domingo, 27 de junho de 2010

Jovens são dependentes de mídias sociais



Após ficarem 24 horas offline para pesquisa da Universidade de Maryland (EUA), estudantes se consideram "claramente viciados"



Um estudo recém-publicado pela Universidade de Maryland (EUA) indica que alunos de colégios americanos podem estar, literalmente, viciados em mensagens instantâneas e redes sociais. Na pesquisa, os estudantes usaram expressões comuns a dependentes de álcool e drogas para descrever o que sentem quando precisam ficar sem esse tipo de informação: “em abstinência”, “fissurado”, “muito ansioso”, “extremamente inquieto”, “em estado miserável”, “palpitante” e “louco”.

A pesquisa, que obrigou 200 estudantes a ficar offline por 24 horas e foi baseada em relatos escritos após a experiência, coletou depoimentos alarmantes. “Estou claramente viciado e a dependência é doentia”, disse um dos entrevistados. “Mandar mensagens de texto para meus amigos me dá uma constante sensação de conforto”, contou outro.                                   A conclusão dos pesquisadores é de que, além de não desejarem, talvez os jovens não sejam capazes de abandonar as mídias sociais. “Ficamos surpresos com a quantidade de vezes em que eles disseram estar ‘incrivelmente viciados’”, reportou Susan D. Moeller, a diretora do projeto. Para responder ao estudo, os estudantes escreveram o equivalente a um livro de 400 páginas contando o que sentiram no período de abstinência. “Ficar sem essas mídias significa, para eles, ficar sem os amigos e a família”.
Apesar de alguns dos entrevistados revelarem assistir a telejornais, eles não têm o costume de se informar em sites de notícia ou escutar jornal no rádio do carro. O curioso é que esses jovens sabiam de acontecimentos bem específicos. Como eles conseguem se manter atualizados? Na verdade, informações de todos os tipos chegam às redes sociais, como Facebook e Twitter. Se algo lhes despertar muito a atenção, aí sim, eles procuram mais detalhes.  
“Para ser sincero, eu estou feliz por não ter conseguido cumprir o acordo”, escreveu um estudante. “Se eu não tivesse ligado meu computador, eu não estaria atualizado sobre o violento terremoto que aconteceu no Chile. Fiquei sabendo por um post informal no Tumblr”, completou.
No Brasil, as informações e as redes sociais são cada vez mais acessíveis, mas ainda são menos populares se comparadas a países desenvolvidos, como os Estados Unidos. “Com os avanços tecnológicos, as relações lá são muito digitais. Para esses jovens, o real é o virtual”, afirma Marcelo Niel, psiquiatra do PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes de Álcool e Drogas) da Unifesp. 
Segundo o especialista, o vício em mídias sociais não é tão ameaçador quanto em álcool e drogas, mas pode gerar ansiedade, depressão, insônia e fobia social. “O problema é sério e também atrapalha a saúde, mas não há prejuízos perigosos, como deterioração cerebral por causa dos efeitos químicos”.
Você se considera viciado em internet e mídias sociais?


( créditos - jovemig )